Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

http://blogue velho.blogs.sapo.pt



Segunda-feira, 21.08.17

Carta a Canize

Depois de uma ausência, para memória futura e para partilhar com meus amigos, publico hoje uma carta colocada no mar em 18 de setembro de 2012.

 

 

“Querida CANIZE”

 

Não te esqueci um segundo que fosse e todo o meu tempo de liberdade de pensamento, tem sido “Tempo de Reflexão”.

A incerteza e a busca têm vindo a dar lugar à verdade e à descoberta e têm contribuído para a eternização da “Memória e do Pensamento” dando sentido à plenitude da vida do “Homem Perene”!

As progressivas descobertas da ciência têm vindo a demonstrar todas as razões em que tu me ajudaste a acreditar.

Todos os meus anseios culminam numa vida de descoberta e verdade. Essa enorme confiança que me conforta, anima a ti eu devo minha querida amiga.

Sei que todos os dias me encontras nos teus caminhos da “Memória e Pensamento” e isso te apraz; quero também dar testemunho da felicidade que há em mim, por todos os dias e instantes sentir que os nossos caminhos se enlaçam e tudo o que temos de comum e nos une é bem mais forte que a distância que separa nossas vidas materiais.

Espero que tenhais fruído um tempo de amor e alegria, nestes escassos dias que viveis nesta vida material.

Eu tenho lutado com determinação e alegria contra a tenebrosidade da incerteza, continuando incessantemente na prática do bem, em busca da verdade e contra a antítese do conhecimento, onde se insere a gigantesca narrativa da fé.

Porém quero dizer-te que penso ter descoberto a razão que dá consistência a essa fé, a fé que fala Paulo, nas epístolas ao Cristianizar Romanos, Hebreus e outros, essa fé: - que se para muitos não passa de uma estratégia para obtenção de secretos propósitos; para muitos outros milhões, é uma inabalável convicção da qual fantasticamente se socorrem quando em horas de aflição e com ela convivem como da mais pura verdade se tratasse.

Mais do que nunca reconheço hoje a obstrução à descoberta, à paz, à justiça, à razão e sobre tudo à verdade entre os Homens, provocada pela fé. Também hoje, mais que nunca tenho a plena convicção da utilidade da fé, na vida material dos humanos que a comportam, o que atesta e justifica a razão da sua criação e da sua existência, ocupando vasto espaço no campo objetivo da “Memória e Pensamento”.

 

Depois de anos e anos, seguir cegamente uma fé Paulista.

Depois de questionar e pôr em causa a consistência dessa fé.

Depois de menosprezar a mesma fé por falta de respostas.

Depois de renegar a própria fé, que um dia jurara difundir.

Depois de afirmar que a fé não passa de uma gigantesca e abstrusa narrativa.

Depois de todas as contradições registadas na própria fé.

Eis pois que afirmo a descoberta da sua fundamental substância: - a utilidade da fé!

O que confirma e atesta a convicção de muitos e reforça a ideia da estratégia de outros.

É essa descoberta que aqui e agora, com enorme prazer e muita saudade quero partilhar contigo!...

 

O Filho do Mar

 

Caminhava eu quase perdido e por vezes rastejando na pesquisa de algum bom lugar, para fazer pesca apeada, pelas falésias do “Cabo Espichel”.

Houvera tido um fugaz encontro com um velho indigente, aninhado numa minúscula gruta, rasgada nas gigantescas lâminas sobrepostas, oblíquas e polidas de formações sedimentares, entre as águas cristalinas do Atlântico e o alto do gigantesco rochedo que constitui o fantástico promontório, no estremo Oeste de Portugal.

Ao ver aquele Homem assustei-me, não era crível algum ser Humano permanecer naquele lugar.

Ao observar a pequena gruta, pudera verificar a inexistência de qualquer elemento básico de vida, assim como a total ausência de qualquer objeto de pesca ou de uso pessoal, utensílios de confecionar alimentos, iluminação, ou outra, apenas e só um monte de trapos velhos e um pequeno gato tigrado, era tudo o que podia observar naquele exíguo e medonho espaço.

Era difícil imaginar que aquele homem pudesse ali ter dormido uma só hora que fosse.

Fiquei apavorado e disse-lhe:

-Bom dia!

 

O Homem antes de qualquer outra palavra correu a mão ao longo do gato riscado de listas cinzentas, rabo eriçado, orelhas espetadas e olhos bem abertos e ternamente disse:

-Dorme riscas.

Era uma figura alta, magra, olhos quase desaparecidos num rosto coberto de barbas brancas e extremamente longas pegadas com os cabelos igualmente longos, cobrindo-lhe completamente a cabeça e o pescoço.

Sobre o corpo, apenas uma espécie de túnica impregnada de barro negro e um pedaço de pano rasgado sobre os ombros, protegia-lhe o corpo do rude vento e frio que se fazia sentir.

 

Pareceu sorrir para mim e retribuiu:

-Bom dia!

 

E surpreendentemente com expressão calma, protetora e amistosa, adiantou:

-Olhe que não é bom vir para aqui; é perigoso!

 

Ao que eu respondera:

-Bem sei Senhor.

-Mas eu perdera a vereda que costumara seguir

-Agora tenho receio de voltar para traz.

-Quero chegar ao bico dos “mareantes”.

 

Ele logo atalhou:

-Hoje não!

-Ao fim da tarde cairá uma chuva miudinha que vai molhar a laje e torna-la escorregadia e intransponível.

-Se avançar tem vastas probabilidades de dormir no bico alguns dias, ou cair ao mar.

-Regresse pelo mesmo caminho com confiança, ou suba o rochedo usando sempre o vértice côncavo das lajes, suba e desça as vezes necessárias até chegar ao cimo, nunca use a superfície plana da rocha.

-A menos que tenha fé que algum santo o venha salvar.

 

Era de novo o confronto com a fé.

-Que fé pudera eu ter que algum santo me viera salvar?

 

Não por ter desvalorizado o aviso, mas mais por impaciência continuei:

-Eu posso esperar que o Senhor vá almoçar, irei consigo, estou com receio de subir as rochas por este lado sem ver como o Senhor sobe.

-Eu chamo-me João e o Senhor, como é o seu nome, posso saber?

 

-Sou o “Filho do Mar.

-Talvez tenha outro nome mas não me lembro

-Eu vivia com meu Pai e minha Mãe naquele lugar.

 

O homem apontara no sentido de uma pequena enseada não acessível por terra e somente com uma nesga de areia branca penetrando nas rochas e continuava; parecendo olhar para lado nenhum

 

-Minha Mãe no ano de 1938, anos negros da guerra civil em Espanha, fora visitar seu Pai, de ascendência portuguesa e grande lutador republicano, em estado avançado de doença na cidade de Olivença, de onde eram naturais; espanhóis por documentação; portugueses por convicção e amor.

-Minha pobre Mãe ali ficara para sempre às mãos de Nacionalistas, que a tomaram por “Revolucionária”.

-Eu tinha apenas oito anos e ficara só com meu Pai, o “Virgem da Mua”: - seu inseparável barco de pesca e uma gatinha parda de nome faneca.

-Todos os dias íamos ao mar, onde o peixe que apanhávamos era entregue noutros barcos, por troca de alguns víveres que outros pescadores nos traziam e isso nos bastava.

-Todos os dias meu Pai sentado na proa, olhava o infinito e falava com minha Mãe, preparava a sua dose, lançava-a ao mar e só depois comia.

-Meu Pai chorava e fazia comigo uma oração de agradecimento e esperança.

-Todos os dias chegados a terra, subíamos ao santuário de “Nossa Senhora do Cabo”, no alto do promontório e junto de “Nossa Senhora “, com toda a fé lhe rogávamos que cuidasse de minha Mãe e nos protegesse de todo o mal na terra e no mar. Sempre que descíamos ou subíamos a gigantesca falésia, fazíamos uma cruz sobre o peito e agradecíamos a “Nossa Senhora”, a quem confiávamos toda a nossa vida e em quem depositávamos toda a nossa fé!

-No mais atroz sofrimento de saudade e injustiça, mas pela fé, sabíamos ser felizes!…

 

O homem agora deixava cair duas lágrimas que logo se perdiam no emaranhado dos longos cabelos e barba, agora com um brilho lacrimejante nos olhos, parecendo reviver o passado distante e doloroso, continuava:

-No ano de 1941 no mês de Fevereiro, saímos para a faina, estava muito vento, mas o meu pai era homem muito forte e corajoso e avançamos; não havia barcos pelo mar, o forte vendaval transformou-se em violenta tempestade…

-Soprava uma e mais outra rajada com tal violência que partiu o mastro da pequena embarcação!

-Meu pai mandou-me deitar no peneiro e começou a remar, mas a violência do vento, da chuva e das vagas era tanta, que o pequeno barco era atirado de uma vaga para outra como se fosse uma pena…

-Deixamos de ver a ponta do farol no alto do “Cabo”...

-Uma vaga entrou pela borda deixando o barco meio de água.

-Meu Pai lutava tenazmente contra o vento e tentando retirar alguma água, na qual eu já me perdia embrulhado com os apetrechos de pesca ainda a bordo...

-As vagas eram tão fortes que uma inundava a pequena “enviada”, logo vinha outra mais forte que a empinava, vazando a água nela contida, ainda outra e outra que a voltava a inundar e a depositar mais água no fundo, até que a frágil embarcação já submergia até à borda!

 

Utilidade e malefícios da fé

 

-Meu Pai deixou o barco ao sabor do mar e do vento, vazou o barril de água doce que transportávamos, atou uma corda em seu redor, depois atou-a em volta da minha cintura, dizendo:

-Querido filho; o tempo e o mar não nos podem deter!…

-Tenho fé que a Nossa Senhora me ajudará a salvar o nosso ganha pão!

-Vai!…

-Vai com a fé de Nossa Senhora!…

-Nada para terra!...

-Tu consegues, segura-te na barrica e com os pés guia-te para terra.

-Eu irei a nado!

-Reza o “Pai Nosso”...

-Com a fé e a ajuda de “Nossa Senhora do Cabo”, havemos de nos salvar!…

 

O Homem avançara dois pequenos passos e estava agora sentado mais na ponta do rochedo debruçado sobre o mar, que se ia tornando mais negro e falsamente manso.

Contemplava o mar e o horizonte, parecendo observar o infinito e sem olhar para mim continuava:

-Cheguei a terra exausto, assustado, mas amparado na fé.

 

O Homem chorava agora como uma criança!...E continuava:

-Fé de encontrar meu Pai!

-Fé de um dia ir a Olivença; não vingar, mas honrar a morte de minha Mãe!…

-Fé de voltar ao mar e dele poder tirar o necessário para viver!

-Fé de reencontrar uma vida de paz, amor e verdade!…

 

-O Homem voltava a fazer um silêncio confrangedor que se tornara assustador, só se ouvia o sussurrar manso e lento do Mar, numa enganadora acalmia de “paz podre”. Porém já se fazia sentir no rosto e no corpo o sopro anunciador de vento Sudoeste.

 

Aumentava a instabilidade e crescia o meu receio, chegava-me para junto do gato tigrado procurando algum conforto.

 

O Homem sem olhar para mim continuando a fitar o mar, numa voz quase impercetível continuava:

-Fui moço ajudante de redes!

-Ajudante de calafate!

-Fui gaibéu em Salva Terra!

-Pescador na Terra Nova!

-Fugi da guerra por horror!

-Embarquei em bandeiras de Países sem mar!

-Ganhei novos nomes e nova Pátria!

-Aprendi línguas distantes!

-Fui angariador de gondoleiro!

-Caí nas malhas do álcool e da indigência!...

-Comi restos de cães!

-Dormi em cama de ovinos!

-Vivi sem alma nem beira!

-Percorri mundo sem nexo!…

 

-Eis senão quando, no ano de 1992, após longa caminhada sem chegar a lado algum, apagada a minha história, regressara onde vira a minha mãe pela última vez e perdera meu Pai.

-Do seu conhecimento extraíra o saber que me faz feliz, a mim e ao "riscas"; o homem voltava a anafar o pêlo do gato tigrado.

-É aqui que estou bem.

-Ajudo os pescadores nas previsões de mau tempo.

-Em troca recebo o que preciso, para mim e para as riscas.

-Falo e escuto sempre que preciso a minha Mãe!…

-Todos os dias ouço e sinto o meu Pai é com ele que me aconselho.

-Só aqui encontrei paz, amor e verdade!

-Neste lugar não esqueço mas apaziguo as vicissitudes e contradições de uma vida de outrora, uma vida de esperança com fé!

-As dores de uma vida à sorte, sem rumo nem guia...

-Os danos de uma sociedade de farsas, mentiras, ódios e ardis, onde os valores materiais e individuais se sobrepõem aos valores dos princípios e da solidariedade!

-Só aqui encontro conciliação com o meu passado; com o meu presente, com o mar e com a vida...

-Sobre tudo é aqui que me encontro e cruzo a minha “Memória e Pensamento”, com a “Memória e Pensamento” de tudo e todos com quem já vivi e particularmente de minha Mãe, de meu Pai e da própria “Nossa Senhora do Cabo, que hoje nem sequer sei se ainda existe!…

 

Estava eu profundamente amargurado, pela história do “Filho do Mar”, receoso pelo lugar e pelo tempo, tentando não me deixar cair em pânico, mas sem saber o que fazer, questionei o homem.

-O Senhor tem fé que não chove até ao fim da tarde?

 

De novo um aterrador silêncio.

Até que o homem compreendendo a minha impaciência respondera:

 

-Eu perdera quase tudo com o ciclone de 41, até o próprio nome perdera para sempre e sobretudo perdera o que pensara ser o maior bem; a própria fé!

-A fé que me conduzira para terra, a mesma fé que vitimara meu Pai.

-Só não perdera e fora aqui que reencontrara; o que me transmitira meu Pai.

-Fora ele que me transmitira que hoje não devo subir as escarpas.

-Se te transmiti como podeis subir; fora dele que recebera o saber.

-Se sei viver somente do mar; é porque Todos os dias, todos os instantes, meu Pai me aconselha e na sua “Memória e seu Pensamento” me aconselho e me determino.

 

-Aumentava a minha ansiedade e incerteza e à beira do pânico era de novo assaltado por uma onda antiga de pensamento: -

-Fazer-me-há falta a fé?

-Pela primeira vez sentia o confronto entre o conhecimento e a fé.

 

Quando o Homem abrindo desmesuradamente os olhos e erguendo o rosto na direção do alto do promontório exclamou:

 

-Fora também da "Memória e Pensamento" de meu Pai que extraíra o saber; que para subir esta montanha de dificuldades, antes da fé, preciso do saber.

 

O Homem, agora pronunciava estas palavras manifestando uma profunda confiança e sabedoria. Logo se comprime mais afincadamente no interior da minúscula caverna, remetendo-se ostensivamente a um silêncio petrificante, como que parecendo arrependido do que acabara de contar.

 

Eu ao ouvir o homem ficara ainda mais assustado e ao mesmo tempo ansioso por ouvir mais e mais histórias do “Filho do Mar”.

Como era possível aparecer de novo alguém no mais improvável lugar do meu caminho, a lamentar ter perdido a fé, conquanto anunciava: precisar do saber, antes da fé!...

Ficamos assim por muito tempo...

Se eu estava com receio de ficar ou partir, não menos receio tinha de voltar a questionar o homem.

Passado algum tempo receoso mas muito necessitado de ajuda, procurara de novo encetar o diálogo, pegando na deixa que também outrora mais me atormentara e já em desespero, mas com lucidez suficiente para mostrar tranquilidade, questionara o Homem:

-Pelo que me diz só vai lá acima quando o tempo permite.

-Como pode o senhor viver aqui, sem comida, sem amigos, sem meios, e ao que me diz; sem fé?

 

Depois continuava o “Filho do Mar”; agora nostálgica e laconicamente:

-O mar tudo me levou, do mar tudo me chega!…

-Comida, amor, paz, maravilhosas recordações e sobre tudo a partilha da minha vida com a vida de meu Pai, de minha Mãe e de quem verdadeiramente me ama e sempre amou!

-É tudo o que preciso, eu e o “Riscas”.

Passando de novo a mão pelo dorso do bichano, dizia:

-Não é “Riscas”?

 

Depois com grande determinação e agora olhando o cume do rochedo e elevando serenamente o tom da voz, dizia:

-Eu não subo as rochas com a fé!

-Subo as rochas com conhecimento e confiança!

-Quando me falta a confiança, fico aqui.

-Aqui no meu “Tempo de Reflexão” encontro resposta para todos os meus problemas e sobre tudo para saber viver esta vida de verdade.

-Mais não preciso que o saber, é no saber e na reflexão que encontro todas as soluções para as minhas necessidades reais.

-Hoje não posso ir lá acima, seria pouco provável que pudesse regressar e não tenho outro lugar para ficar com o “Riscas”.

 

-Ainda te digo João:

-Vai subindo enquanto é seguro.

-Mais!

-Não poderás apoiar-te somente na fé!

-Poderás e deverás apoiar-te na descoberta da verdade da própria vida e na constante busca do conhecimento e do bem...

-O homem criou a fé para dissimular o erro e resgatar a absolvição.

-Para depositar boas intenções.

-Para usar caminhos tortuosos e de risco.

-Como refúgio da ignorância.

-Para abrigo e anestesia do sofrimento.

-Para o amparo fitício dos vivos.

-Para suscitar esperança aos deserdados e desvalidos.

-Para muitos ousarem subir rochedos como esse, sem que descubram a maneira correta!

-Já muitos ousaram subi-los sem conhecimento, porém só uns entre tantos lograram alcançar o planalto!...

-Ainda te digo mais João:

-Se ao invés da fé, usardes o conhecimento:

-Não terás dissimulação para o erro.

-Não chorarás a frustração de boas intenções.

-Não subirás por caminhos que desconheces.

-Não te desculparás com a ignorância.

-Não farás o caminho mais fácil poupando-te ao esforço

-Não contarás com falsas expetativas de fitícias esperanças

-Não sofrerás a desilusão de perder o troféu a dois passos do cume da escarpa.

-Com conhecimento e confiança conseguirás vencer a tormenta e chegarás ao topo incólume e triunfante.

-Agora apressa-te que se faz tarde muito cedo!

 

-Obrigado senhor.

-Vou partir com a confiança do saber!

-Mas ainda me faz falta uma última resposta.

-Poderão ter a felicidade de atingir o cume, os que a tentarem subir; desprezando o conhecimento e apenas guiados pela fé?

 

Ao que o homem respondeu sem hesitar:

-Sim!…

-Essa é a grande utilidade da fé!...

-Poder viver a alegria de atingir o objetivo acreditando na chegada triunfante somente pela fé.

-Os que tiverem a felicidade de alegremente lá chegarem, pois louvados sejam e louvada seja a sua fé!

-Aos que ficarem pelo caminho; Direi:

-Para atingir o objetivo com segurança é necessário o conhecimento.

-Ainda te digo por fim:

-O meu pai era homem de grande fé.

-O meu Pai, teve o conhecimento que a barrica me podia salvar e daria para dois, mas com a fé de salvar o “Virgem da Mua”, sua única pertença, ficou para sempre no mar.

-Foi esse o grande malefício da sua fé!…

 

Minha querida amiga Canize, não disponho do teu enderece, poderás estar em qualquer lugar, sempre estarás no meu coração e sei que o “Tempo de Reflexão” e a tua grande união com o Mar, não deixarão de conduzir até ti esta missiva, seguindo a rota de “Gama” e de “Mussa Al-mbique” até à ilha das conchas, onde sempre te encontrará, com rosas rochas presas no teu cabelo e cumprirás a tua promessa de 1944.

 

 

“João Corda”               

Portugal, 16 Maio 2012”     

 

PS - O conteúdo da “Carta a Canize”, aqui apresentado, foi extraído na totalidade de uma carta manuscrita em papel, colocada numa garrafa e lançada ao mar, junto à praia da Foz, Sesimbra, em 18 de Setembro de 2012.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por setblog às 15:07



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Agosto 2017

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031

Posts mais comentados