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Quinta-feira, 06.07.17

ABSTRATO 4

 

 

          T R versão corrigida.jpg      Quando em 08 de fev. 2017 publiquei este símbolo, ficaram no ar algudúvidas quanto ao seu significado, é tempo de desfazer essas dúvidas e afirmar que  nada tem aver com "Trampismo", melhor dizendo até talvez tenha alguma de relação.

Passo então a divulgar, "TR" são as iniciais do nome e significa (TEMPO DE REFLEXÃO), nome dado a um grupo de reflexão Africano, cujo grupo nada tendo a ver com qualquer religião, dedicava grande parte do seu tempo à meditação da dos Deuses e da caminhada do Ser Humano.

Foi pois do contacto com esse grupo que resultou o testemunho abaixo descrito e que hoje publico na Página do "ABSTRATO".

 

 ...//...

"-No Tanganica-

 

Por fim Canize, continuava:

 

-No ano de 1950, fui resgatada da missão, por um velho amigo de meu avô de nome Sunil. Com ele fizera uma viagem de barco desde Nacala/Porto, passando por Mtwara, até Porto Zamzibar e ali entregue à família de Sunil; passados alguns dias, fora de novo levada para Mtwara.

-Donde e por mandado de Sunil, acompanhara uma expedição Inglesa, numa caminhada de quarenta e dois dias, pelos vales do “Ruvuma” até que cheguei a “Matagoro/Ruvuma”, no Tanganica, Junto ao “Grande Lago Niassa”, na margem esquerda do “Ruvuma”.

 

-As fés da Macondíndia-

 

-Três países, três religiões, três famílias, três línguas e sem esperança, sem Pátria, sem família, sem amigos, sem religião, sem e sobre tudo sem amor.

-Ali ficara confiada a uma família Inglesa, passando a trabalhar ao lado de outras jovens, no serviço geral e na cozinha no seu albergue, para visitantes estrangeiros e nas horas mortas, no cultivo da sua machamba.

-Na machamba trabalhava com dezenas de outras pessoas, sob as ordens de Guntler, um indígena, de meia idade, cabelos lisos e muito negros, pele cor de lombo de tubarão, homem de respeito e benevolente, distribuía-me os trabalhos mais leves; era com ele que gostava de estar, era homem carinhoso e acarinhava-me como se eu fosse sua filha, com ternura, costumava chamar-me de “Macondíndia”.

-Dizia-se Alemão, mas falava Inglês e gostava de me ensinar, fora com ele que aprendera; também falava Alemão e um pouco de Português. Pedia-me que o corrigisse quando ele errava nos tempos dos verbos!

-Levou dois dias a ensaiar: -”Vou fazer frango à Cafreal”. Depois com orgulho repetia a frase para caçadores e madeireiros Portugueses, que por ali passavam com alguma frequência.

-Muitas vezes era chamado para falar com estrangeiros!

-Quantas vezes pensei, que meu pai poderia ter sido assim!

-Passados três anos, Guntler, partira sem se despedir, já mais soubera o seu fim!

-Na cozinha, era o meu suplício sob as ordens de “Emma Noah”; uma mulher rude, desconfiada e arrogante, se saía fechava todos os alimentos e as próprias capoeiras de galinhas eram trancadas, de modo que ninguém tivesse acesso aos ovos.

-Quando não havia trabalho para mim, forçava-me a catar os carneiros e as cabras até encontrar um qualquer parasita.

-Na machamba, com a chegada de um novo capataz e após a minha recusa à sua tentativa de sedução, caíra em desgraça.

-Desde trabalho forçado, escolhendo para mim sempre o mais duro; do impedimento de procurar sombra; ao racionamente de comida e água, com vexames e ofensas, incluindo à minha mãe, tudo tivera de suportar.

-Com o meu desenvolvimento físico, tornaram-me presa apetecível e fora incluída no lote de meninas que constituíam produto promocional da estância turística.

 

-Tempo da Reflexão-

 

-Quando não havia visitantes, era autorizada a frequentar o “Tempo da Reflexão”.

-Era um lugar singelo, uma casa redonda sem madeiros, nem fogueira, completamente despida de coisas ou símbolos!

-Mas uma casa repleta de energia e amor!

-Ali, falávamos com os vivos e refletíamos nos “Caminhos da Memória”!

-Ali, exortávamos à tranquilidade, à coragem e à honra!

-Faziam-se trocas; de experiências e bens!

-Entoávamos cânticos de louvor ou condenação!

-Exultávamos pelo bem alcançado, individual ou coletivamente!

-Manifestávamos coletivamente, condenações do mal!

-Formulávamos desejos ou rejeições!

-Ali nos regenerávamos das práticas do mal e nos preparávamos para as práticas do bem!

-Ali se evocavam, por louvor ou condenação, de um ou outro modo os acontecimentos e atos mais transcendentes, relacionados com qualquer ser humano; presente ou ausente, sem regras, conceitos, obediências, obrigações, direitos, deveres ou qualquer forma de condenação ou compensação pré concebida.

 

-Naquele exíguo espaço estava contido o principio da descoberta da verdade e do bem!

-O princípio do bem por bem!

-Ali aprendera a viver!

-Aprendera a pensar!

-Aprendera a amar!

-Aprendera que a vida não termina, apenas se transforma!

-Tivera a sorte de ali encontrar o Sr. Carlos Argolão, ex missionário, que por motivos desconhecidos abandonara os votos e voluntariamente, ensinava a escrever e ler, dezenas de pessoas analfabetas. Com ele aprendera, muito do que sei!

-Cada um no seu silêncio, ou em ato proclamatório, convocava os “Caminhos da Memória”; caminhos da “Memória e Pensamento” de seus antepassados; para que pudessem chegar e trazer até si, o conhecimento necessário e suficiente para erradicar de suas “Vidas Materiais” quaisquer impurezas, procurando nos sucessivos ciclos de vida o aperfeiçoamento, individual e coletivo.

-Finalmente concluíra que é possível a Humanidade encontrar um caminho de progresso, contínuo aperfeiçoamento e felicidade duradoura!

-Vinha um novo dia e mais um dia de suplício!

-Foram horas, dias e anos de sofrimento, angústia, e desespero!

-Quantos dias sem comer!

-Quantas noites sem dormir!

-Quantas lágrimas por secar!

-Quantos homens na minha cama, sem nenhum, sequer amar!

-Por fim, após alguns desacatos entre colonos Ingleses e defensores da independência do Tanganica, em meados do ano de 1959, quis o “destino, passado”, que aquele lugar, do bem e do mal, fosse abruptamente encerrado.

-Quis o “destino, passado”, que eu fosse no turbilhão e parasse em “Maapará”, na casa do Senhor Administrador Goulão, com quem tive a felicidade e honra de servir, viver e muito aprender durante quatro anos como se fora sua filha!

-Quis o “destino, passado”, que eu tivesse tido o encontro com o amor de minha vida; Luciano!

-Também trouxera comigo fantásticas razões para procurar ser feliz e transmitir a felicidade aos outros!

-É pois no sentido de transmitir a felicidade aos outros, que tenciono e tenho procurado, propagar a tese do “Tempo da Reflexão”:

-Tese da verdade e do amor!

-Tese que procura demonstrar a relação do Homem com o Universo; a sua ação na diferenciação com seres irracionais; na orientação da sua própria história; na história dos “Deuses” e na criação dos tempos do tempo, a que chamarei: -" ...//...

 

 

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por setblog às 09:17



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