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Domingo, 02.07.17

ABSTRATO 3

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...//...

João continuava em silêncio, o sol baixara subitamente e apenas brilhava no alto da torre de menagem e nas ameias do Castelo.

Ao fundo - no seu traçado serpenteante em redor da montanha onde se alcandora serena, a fabulosa, mítica e histórica cidade de Abrantes; - escorre calmo e pacífico o Tejo, enrolando numa gola de espuma branca os resquícios da velha ponte Romana, a sua superfície estava agora mais brilhante e as duas pontes metálicas que o atravessam, projetavam nas águas estanhadas as suas silhuetas negras, em contraste com os vários tons de verde dos campos e o romântico e luminoso salpicado branco do casario em dezenas de povoados a perder de vista, na ondulante pré-planície da outra margem.

Nesta majestosa e bucólica paisagem podemos usufruir do mais perfeito cenário para uma profunda e transcendente meditação.

Finalmente João Corda, depois de se chegar um pouco à frente e fitando Artur, com um olhar grave e sério, perguntou ao amigo:

 

-O poder de Deus-

 

-Artur, poderão os peixes viver no deserto?

-As águas dos rios poderão correr da foz para a nascente?

 

Ao que Artur, responde de pronto:

-Sim!…

-Se essa for a vontade de Deus, sim!

-Com a vontade de Deus, tudo é possível!

 

João, volta a questionar o amigo:

-Quem seria capaz de evangelizar os camponeses de S. Lourenço, ao ponto de lhes incutir tal , que viessem a acreditar; poder comer todas as sementes da safra; em tempos de fome, pois com muita , as pedras haveriam de brotar fartas colheitas?

 

Artur, fica um pouco inquieto e pretende retorquir, mas parece não estar à vontade, pede a João, para irem até à escola e olhando João, nos olhos pede-lhe:

-Podemos falar nesta questão sábado?

-Eu irei mais cedo e falaremos um pouco, depois aproveito e faço a “R.V.O.” convosco, que me dá sempre imenso prazer.

 

João, não parava de pensar.

-Se é possível, os peixes viverem no deserto! Os rios correrem para a nascente! As pedras brotarem fartas colheitas!

-Bastando para isso a vontade de Deus!

-Então também é possível inibir os homens dos pensamentos e atos conducentes ao mal e será possível dota-los apenas do espírito do bem!

-Bastando para tal a vontade de Deu!

-Então porque matam os homens?

-Porque torturam, ferem no corpo e na alma?

-Porque tantas crianças perecem de fome? Enquanto outros vivem na mais faustosa e opulente abundância?

-Será esta a vontade de Deus?

-Estará a sua omnipotência em causa?

-Não!

-Não posso permitir que em meu pensamento se instalem tais dúvidas.

-O Vigário Faustino terá razão!

-Isto não são pensamentos que eu possa admitir!

 

O dia de João Corda, era severamente ocupado!

Meia hora para chegar ao comboio, uma hora e meia de viagem, meia hora da estação para a oficina, cinquenta minutos para almoçar e fazer o caminho de ida e volta ao refeitório, sobre vagões, carruagens, linhas e brita, oito horas de trabalho, a viagem de retorno, quatro horas de aulas noturnas, mais uma hora para chegar a casa e regularmente ensaiar folclore, teatro e ter uma intensa atividade na "Ação Católica",

João, já quase não dormia de tão grande cansaço e ultimamente tanta tormenta.

Tinha agora para colocar em apreciação, em “R.V.O.”, o grande problema da “Silva & Cunha Lda” e para o enfrentar pensava:

-Como posso eu na próxima “R.V.O.”, propor e defender que os operários da “Silva & Cunha”, devem continuar a trabalhar arduamente e pedirem a "Deus", para terem , que a contenda se resolverá a bem de todos?

-Devem os operários deixar a escola?

-Será isto que eu penso?

-Não!...

-Penso que devem escolher dois entre eles, e irem dizer ao Sr. Silva, que tem obrigação de cumprir a lei e deixa-los sair mas cedo, para que possam entrar na escola a horas. Se a fábrica dá para os filhos do Senhor Silva, irem com motorista para o colégio, os operários também devem poder andar a estudar e se ele continuar a negar-lhes o direito, devem entre eles escolher o que fazer e mostrar-lhes a nossa solidariedade.

-Não podemos nós no movimento contribuir para a contenção da luta dos operários, nossos irmãos!

-Cabe-nos o dever de ajudar os operários no esclarecimento, em geral e das próprias leis que regem a atividade laboral, em particular.

-Sendo os operários a verdadeira e única força que transforma o grão em farinha e pão, hão de por certo merecer a recompensa e terem agora a oportunidade de adquirir formação e conhecimento, que não lhes fora proporcionado na continuidade da escola primária!

 

João, cada vez mais perturbado e inquieto e sem conseguir afastar da sua memória, a mesma pergunta:

-Sendo Deus omnipotente e bondoso porque permite tal injustiça?

-Estará Deus indiferente com as necessidades dos operários da Silva & Cunha?

 

João e Artur. Nem notaram que caíra a noite e João, já estava a atrasar-se para a aula de história.

Os amigos despediram-se cordialmente com o usual toque de; Ombro a ombro e com um:

 

-Até sábado meu amigo.

 

A infindável inquietude, o pouco descanso, a ânsia de encontrar a razão e os caminhos da , estavam a enlouquecer João.

João, não conseguia suportar a ideia de continuar a invocar e sugerir Evangelhos, recomendações e encíclicas, invocar Deus e a , se não sentia a consistência e a razão, da verdade da .

Tornara-se impossível viver a bem com "Cristo" e seus seguidores, vivendo inquestionável e cegamente a .

Num diálogo informal, fora do ato litúrgico, tinha ousado questionar o seu confessor, com as seguintes perguntas:

 

-Deus desconhecia as Américas-

 

-Porque não existe alguma figura notável, oriunda do Continente Americano, mencionada no Antigo Testamento?

-E nos Evangelhos porque não é mencionada a existência das Américas?

-E Paulo, também desconhecia?

-Porque não foram Cristianizadas as gentes das Américas durante os primeiros mil e quinhentos anos de Cristianismo?

-Será que todos os escritores da “Bíblia Sagrada”, desconheciam em absoluto a existência do continente Americano?

-Porque não informou Deus, os seus Profetas nas inspirações dos textos sagrados?

-A virgem de Guadalupe, - tida como a própria mãe do verdadeiro “Deus”-, só se revelou às gentes “Astecas”, após a chega dos descobridores Espanhóis; também a mãe de “Deus”, desconhecia a América?

-Seria a existência das Américas desconhecida do próprio Deus?

 

Porém a resposta que João, obtivera fora mais uma vez evasiva e silenciadora.

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por setblog às 11:49



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