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Quarta-feira, 09.10.13

ORDEM DESORDENADA

Ordem desordenada




















Ordem desordenada






Tantos herois aqui passaram,
deixando somente a pegada!
Que iremos nós deixar,
nesta louca caminhada.

Contra os canhões marchar marchar!
Tanto marchamos com destino incerto!
Donde viemos para aqui chegar,
fomos tão longe e ficamos tão perto!

Para dar ao mundo, mais mundo novo
e da lei da morte outros se libertarem,
marchar, marchar, marchar meu povo,
para outros mortais se imortalizarem!

Nação valente de ilusões,
nobre terra, de povo egrégio
distribuída aos barões,
apenas pelo poder régio.

E dominamos em Zanzibar
e fomos Reis na India e Ceilão,
fomos na china donos do mar,
fomos senhores em Dio, Goa e Damão

Calamos os feitos de Assírios e Romanos,
abrimos de todo uma nova história.
O mundo repartimos com castelhanos,
Em Vera Cruz elevamos a glória.

Para no mundo poder reinar,
sem sequer saber onde ir,
dizendo a cruz de Cristo levar,
fomos tão loucos em Quibir

Do extermínio em Quibir,
do mito nos fazem crer,
que o morto um dia há de vir,
porque não pode o rei morrer.

Quantos corações estilhaçados?
Quantos partiram sem voltar?
Quantos cegos e mutilados?
Quantos perdidos sem se ncontrar?

Quantos deixamos a terra,
sem saber de lá voltar!
Pela paz fazer a guerra,
sem saber porque lutar

Fomos heróis em tanta frente,
até expulsamos Castelhanos!
Enfrentamos toda a gente,
só não enfrentamos tiranos.

Longos mares e céus rasgámos,
com coragem e ambição!
Todos medos nós domamos,
todos, menos a submissão

E sempre, sempre forçados,
pela força a defender,
os bens pelos outros herdados,
assaz sedentos de os ter

Fizemos grandes tratados,
alguns, para ficar sós!
Outros que de tão sagrados,
se tornaram donos de nós

Por nobres e aliados,
demos o sangue na guerra!
Por muitos fomos roubados
e humilhados na própria terra!

Donde te veio a nobreza?
Para ti que és tão honrado,
quanta honra há na pobreza,
do nobre povo deserdado!

Sendo a honra o maior bem,
só honramos o abastado!
Desprezamos quem nada tem,
Mesmo sendo o mais honrado!

Fazem falta os necessitados,
para a força do trabalho vender!
Fazem-se novos tratados,
para de pobres, pobres fazer.

Falam de solidariedade,
enriquecem num só dia.
Distribuem caridade,
retirando a mais valia.

Ficam ricos os empresários,
das empresas insolventes!
São esquecidos os operários,
condenados a indigentes

Em qualquer praça comum,
há um busto de herói erguido!
Ao soldado apenas um
Que até tem nome desconhecido.

Adormecemos no fado,
e sambamos no Brasil!
Do sono mui prolongado,
nem acordamos em Abril!

Andam os povos distraídos,
Com futebol, Fátima e fado!
Simplesmente mui convencidos,
de que o destino está traçado.

Mil anos, que longa história!
Tanto herói entronizado.
Do povo fala a memória,
sem sequer ser nomeado.

Enquanto o povo deixar,
outro por ele decidir!
sempre lhe hão de retirar,
o melhor que produzir

E se uma minoria ousada,
com força da razão se erguer!
Mandam a força avançada,
não vá a razão vencer.

Para o desespero calar,
apregoam a revolução!
Se um dia o povo falar,
Para sempre calar-se-ão


Joshué

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por setblog às 10:31



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